ARQUEOLOGIAS PÚBLICAS E SUAS CONEXÕES: ENTRE A EXTROVERSÃO E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ARQUEOLÓGICO

Resumen:

Desde o final da década de 1970, os debates referentes ao campo da Arqueologia Pública têm se projetado como um segmento marcado pela efervescência de reflexões e expansão de estudos no panorama arqueológico contemporâneo. Este quadro desdobra-se em uma diversidade de abordagens, que perpassa desde os contextos onde as informações arqueológicas são levadas a público por meio de atividades de Educação Patrimonial até a construção ou produção coletiva do conhecimento desta ciência/disciplina, no qual utilizam-se vieses como a Multivocalidade (HODDER, 1998) e Arqueologia Relacional (GNECCO, 2009). Particularmente para esta última situação, é possível observar o incentivo a geração de relações horizontais e democráticas entre os saberes locais/tradicionais e acadêmicos/científicos, corporificando uma complementariedade de conhecimentos a partir de relações de respeito mútuo. Somam-se nesse âmbito o ativismo social de parte dos pesquisadores, atrelados ao desejo de promover rupturas com uma Arqueologia hegemônica, unidirecional e colonizadora, baseando-se na lógica da Teoria Descolonial. Desse modo, os envolvidos com tal perspectiva não buscam em suas investigações conceber verdades únicas, mas sim, construções, discursos e interpretações desenvolvidos a partir de lugares de representação dos diversos atores envolvidos na pesquisa. Seguindo esta linha de pensamento, este simpósio temático se propõe a reunir as mais diversas pesquisas em Arqueologia Pública e suas interfaces transdisciplinares, principalmente aquelas estabelecidas com a Educação, Museologia, bem como o vasto território da preservação patrimonial. Nossa intenção é, portanto, agregar visões que revelem estratégias, teorias e cenários de extroversão e, efetivamente, de construções democráticas do conhecimento arqueológico. Em síntese, almejamos a composição de um mosaico de perspectivas, que será expresso nas discussões geradas no âmbito deste simpósio.

Palabras claves:

Educação. Arqueologia Pública. Conhecimento arqueológico. Multivocalidade.

 

COORDINADORES: 

Bruno Vitor de Farias Vieira, Doutorando em Arqueologia Universidade Federal de Sergipe (UFS) Email: bvturismologo@gmail.com

Mariana Zanchetta Otaviano, Mestranda em Arqueologia e Conservação do Patrimônio Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Email: mariana.arqueologia@gmail.com

Augusto Moutinho Miranda, Mestrando em Arqueologia Universidade Federal de Sergipe (UFS) Email: guto_moutinho@yahoo.com.br

Leandro Mageste, Doutor em Arqueologia Colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) Email: leandromageste@gmail.com

 

Relator o Comentarista del simposio.

Jóina Borges, Doutora em História Cultural Colegiado de Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre Universidade Federal do Piauí (UFPI) Email: joinaborges@hotmail.com

PONENCIAS

 

 

01

HISTÓRIA, CULTURA E ARQUEOLOGIA: AS EXPERIÊNCIAS EM FELÍCIO DOS SANTOS

 

Thaisa Dayanne Almeida Macedo. Bacharel em Humanidades e Mestre em Ciências Humanas com linha de pesquisa em História, Cultura e Arqueologia pela UFVJM, colaboradora do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem LAEP/UFVJM, Diamantina, MG

Allan Ferreira Cabral. Bacharel em Humanidades e Licenciando em História pela UFVJM, estagiário do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem LAEP/UFVJM, Diamantina, MG.

 

O município de Felício dos Santos está localizado na Mesorregião do Vale do Jequitinhonha, mais especificamente na Microrregião de Diamantina a nordeste do estado de Minas Gerais, Brasil. Nas terras que compreendem o referido município foram evidenciados e cadastrados 26 sítios arqueológicos, sendo todos abrigos sob rocha com rico repertório cultural, principalmente relacionado à arte rupestre. Acredita-se que o registro arqueológico é um importante fortalecedor da memória social, pois mais do que um testemunho do passado, está situado no tempo presente, como bens que materializam e documentam uma presença ancestral, uma marca no fazer histórico das sociedades. Assim, a grosso modo, por meio de esforços colaborativos, atentamos a necessidade de mantermos uma relação dialógica com a comunidade escolar, buscando cooperações mútuas em defesa da legitimação e do cumprimento das leis referentes ao uso e preservação dos sítios arqueológicos. Portanto, este trabalho busca discutir a importância da Arqueologia na sociedade atual e seu papel relevante nos processos educativos por meio de ações horizontais/colaborativas e ainda apresentar as experiências vividas no município de Felício dos Santos por meio de práticas educativas dentro do ensino de história. Não se trata de uma ação acabada, mas em construção contínua com o objetivo de proteger as pessoas e o patrimônio arqueológico muitas vezes distanciado por meio dos processos históricos estabelecidos, mas próximos ao cotidiano da comunidade envolvida.

Palavras chavesArqueologia, Patrimônio Arqueológico, Comunidades e Educação.

 

02

TERRITÓRIO INDÍGENA KAPINAWÁ E ARQUEOLOGIA: PERCEPÇÕES SOBRE A CULTURA MATERIAL E OS ESPAÇOS SIMBÓLICOS.

 

Mariana Zanchetta Otaviano. Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.  mariana.arqueologia@gmail.com

 

Pesquisas arqueológicas impactam comunidades que possuem sítios arqueológicos em seus territórios. Por vezes, as pessoas que estavam no entorno dos sítios, foram silenciadas dos discursos arqueológicos, hoje a disciplina tem uma mirada para a questão da divulgação do conhecimento e da construção em conjunto do mesmo, relevando saberes locais para a contextualização e interpretação dos materiais arqueológicos. Entretanto ainda existem ações do passado que devem ser mitigadas pelas pesquisas do presente. Um desses casos é a Furna dos Encantados, localizada no território indígena Kapinawá. A presente pesquisa parte de uma perspectiva da arqueologia com os seres sociais do presente, onde a espacialidade, a temporalidade e a materialidade se encontram para a compreensão das experiências e suas constituições de mundo. Nesse sentido, além de tentar reduzir os danos cometidos no passado por pesquisas sem engajamento social, trabalhamos em conjunto com a comunidade Kapinawá para a construção do conhecimento arqueológico, promovendo uma simbiose de saberes. Ainda nesse sentido, destacamos a importância das pesquisas arqueológicas para corroborarem uma perspectiva ancestral e de uso e significação do espaço, em conexão com a cultura material e a memória.

Palavras-chave: Cultua Material. Arqueologia. Território Indígena Kapinawá

 

03

UMA FESTA PRO SANTO DE AMARANTE NUM QUILOMBO DO PIAUÍ: A RODA DE SÃO GONÇALO NA COMUNIDADE LAGOA DAS EMAS, PIAUÍ-BRASIL.

 

Vanderleia Lima da Silva. Discente do curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial.vanderleia.arqueo@gmail.com

Alencar de Miranda Amaral. Docente do Colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial da UNIVASF; alencar.amaral@univasf.edu.br

 

O presente trabalho visa apresentar  o levantamento etnográfico realizado na comunidade quilombola de Lagoa das Emas, tendo como foco central a Roda de São Gonçalo do Amarante, um folguedo de caráter festivo e religioso. Nosso objetivo foi compreender a trajetória histórica desta manifestação cultural no povoado da Lagoa das Emas e discutir o patrimônio material associado a ela. Além disso, buscamos apresentar os agentes sociais responsáveis pela realização da roda de São Gonçalo (as cantadeiras e os mestres), e analisar  suas narrativas e memórias sobre esse patrimônio imaterial da comunidade . A presente pesquisa se enquadra no âmbito da arqueologia pública, promovendo um diálogo entre comunidade e pesquisador a acerca do patrimônio cultural Roda de São Gonçalo. Tendo sido realizadas ações na quais as pessoas da comunidade assumem o papel de protagonistas, e responsáveis pela valorização e preservação de seu patrimônio cultural; construindo um discurso multivocal e democrático sobre as práticas culturais locais .

Palavras-chaveArqueologia Pública; Lagoa das Emas; Roda de São Gonçalo.

 

04

A RESERVA TÉCNICA DO LAEP: ACERVO ARQUEOLÓGICO E COMUNIDADES.

 

Allan Ferreira Cabral. Bacharel em Humanidades e Licenciando em História pela UFVJM, estagiário do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem LAEP/UFVJM, Diamantina, MG

 

Este trabalho apresenta considerações referentes aos trabalhos realizados na Reserva Técnica do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem LAEP/UFVJM, Diamantina, MG, abordando questões indicativas ao processo de gestão do Patrimônio Arqueológico a partir da análise de situações concretas vivenciadas na prática arqueológica exercida. O acervo da RT do LAEP/UFVJM é composto por coleções de natureza arqueológica oriunda de pesquisas científicas, arqueologia preventiva e doações de materiais constituintes do patrimônio cultural do estado de Minas Gerais, sobretudo do Vale do Jequitinhonha. A partir das primeiras análises podemos observar que o processo de integração espacial do acervo ainda não está finalizado, uma vez que a reserva técnica está em constante crescimento. Contudo, tem-se buscado aprimorar as políticas de gestão de acervos. As discussões a respeito de uma RT ultrapassam a simplicidade de se informar a sua formatação e organização, mas, também o modo como é gerida, onde ficam armazenadas a sua cultura material e a constante interação entre pessoas e objetos de estudo. A divulgação e o (re)conhecimento do Patrimônio podem levar à criação ou ampliação de um sentimento de herança e pertencimento como alicerce da identidade das comunidades. Já que a entrada na RT não é permitida a todos, até mesmo por questões de preservação e proteção do seu acervo, uma possibilidade de acesso a esse patrimônio seria obtida a partir da criação de um site a ser desenvolvido para a divulgação e armazenamento de informações do acervo que está sob sua guarda, como uma ferramenta de divulgação.

Palavras-Chave: Reserva Técnica, Acervo Arqueológico, Patrimônio e Divulgação.

 

05

A INFLUÊNCIA DO DISCURSO ARQUEOLÓGICO EM REGIMES NACIONALISTAS

 

Ênio Nunes Gomes Júnior. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. enio1992@hotmail.com

 

Essa proposta tem o interesse de apresentar como a Arqueologia foi utilizada como instrumento de propaganda a serviço de governos nacionalistas, sobretudo no fascismo europeu (nos regimes de Mussolini, na Itália e de Franco na Espanha). A ciência arqueológica serviu na construção de identidades nacionais em momentos conturbados, onde dados do passado eram apresentados para a população adquirir sentimentos patrióticos, apoiar regimes políticos e não provocar disputas separativas. Essa abordagem abre um comparativo com o Brasil em sua construção de identidade, onde governos ditatoriais (Era Vargas e o Regime Militar) também tiveram que nacionalizar as políticas públicas com ideais de unificação de povos, utilizando do patrimônio histórico e da questão indígena como elementos estratégicos no ensino nas escolas e nas propagandas.  

Palavras-chaveFascismo; Arqueologia e Poder; Política.

 

06

PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO NO FIO DA NAVALHA: O CASO DO MUNICÍPIO DE SÃO BRAZ DO PIAUÍ – PI

 

Géssika de Sousa Macedo. Graduanda em Arqueologia e Preservação Patrimonial – UNIVASF. gessica.macedo@hotmail.com

Leandro Elias Canaan Mageste. Docente de Arqueologia e Preservação Patrimonial – UNIVASF. leandromageste@gmail.com

Carlos Eduardo Ferreira dos Santos. Graduanda em Arqueologia e Preservação Patrimonial – UNIVASF. caducarlos31@hotmail.com

Mariana Zanchetta Otaviano. Mestranda em Arqueologia – UFPE. mariana.arqueologia@gmail.com

 

O município de São Braz do Piauí localiza-se no Sudeste do Piauí, especificamente em corredor ecológico demarcado pelos parques nacionais Serra da Capivara e Serra das Confusões, uma das maiores reservas arqueológicas das Américas. Desde o início do século XX, abundam notícias referentes a achados de material arqueológico, principalmente urnas funerárias, pela população local, geralmente durante a construção de cisternas, fossas e casas. Tratam-se de vestígios relacionados com as sucessivas ocupações indígenas que se estabeleceram na região desde 2000 BP, que aparecem nas paisagens afetivas do presente, integrando quadros diversificados de significados a respeito da vida cotidiana, intima e social das pessoas. A chegada de instituição científicas na região a partir da década de 1970, adicionou complexidade a esta realidade, fomentando de modo direto ou indireto, o aprofundamento de pesquisas acadêmicas, acompanhadas por diferentes práticas de colecionismo oriundas das relações estabelecidas entre pesquisadores e comunidade.  Frente este cenário, apresentaremos no presente trabalho os desdobramentos iniciais de pesquisa dedicada em analisar a inserção das coisas arqueológicas na contemporaneidade, particularmente a cerâmica. Nessa investida, buscamos nos situar na interface entre a Arqueologia e campo de estudos de Cultura Material, sem perder de vista as demandas instauradas pela crítica pós-colonial.

Palavras-chave: Patrimônio arqueológico; comunidade; São Braz do Piauí

 

07

INTERSECÇÕES, DIÁLOGOS E DIFERENÇAS: (DES) CAMINHOS DA ARQUEOLOGIA PÚBLICA E DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NO BRASIL.

 

Leandro Elias Canaan Mageste. Universidade Federal do vale do São Francisco – UNIVASF. leandromageste@gmail.com

Mariana Zanchetta Otaviano. Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. mariana.arqueologia@gmail.com

 

A Arqueologia Brasileira tem experienciado uma profusão de trabalhos cujo enfoque tem se voltado para o desenvolvimento de práticas colaborativas com as comunidades impactadas por suas pesquisas. Por um lado, podemos relacionar o crescimento de tais iniciativas com a penetração teórica de vieses relacionados com perspectivas pós-processualistas, particularmente aquelas comprometidas com a ideia de multivocalidade. Por outro lado, ganha relevo as exigências estabelecidas pela legislação brasileira referentes a realização de atividades educativas e procedimentos de sociabilização dos conhecimentos gerados nas pesquisas. Adiciona-se a esta equação o interesse por debates referentes ao engajamento social da disciplina, que, além de aproximar comunidades e cientistas, têm apontado para a necessidade de outros olhares na construção do conhecimento arqueológico. Nesses (des) caminhos, observamos que por vezes generalizações e sobreposições são empreendidas quando se fala de Educação Patrimonial e Arqueologia Pública. No Brasil, o termo Educação Patrimonial desenvolve-se fora do campo da Educação, situando-se o âmbito da Museologia, como metodologia voltada para a utilização dos museus como recurso didático. A partir de 1990, começa a ser incorporada no cenário da Arqueologia, com um objetivo específico: a divulgação dos resultados das pesquisas arqueológicas.  Já a Arqueologia Pública sustenta-se em provocações teóricas, que pode incorporar em suas metodologias preceitos de educação patrimonial.  Frente este cenário, inspirados pelas orientações de Márcia Bezerra, propomos traçar alguns meandros, intersecções e diferenças entre as duas perspectivas, partindo do olhar das concepções desenvolvidas no Brasil.  Finalmente, buscamos refletir a respeito dos limites e possibilidades que diferentes (des) encontros entre Arqueologia Pública e Educação Patrimonial oferecem frente ao desafio de inserir a nossa disciplina em um quadro mais democrático de construção de conhecimento.

Palavras-chave: Arqueologia Pública. Educação Patrimonial. Práticas Arqueológicas.

 

08

AS TINTAS E AS NARRATIVAS URBANAS: PRODUÇÕES GRÁFICAS CONTEMPORÂNEAS EM BELÉM DO PARÁ

 

Augusto Moutinho Miranda. Mestrando em Arqueologia – UFS. guto_moutinho@yahoo.com.br

Dr. Leandro Domingues Duran. Universidade Federal de Sergipe (UFS). leandrodduran@gmail.com

 

Com a expansão cronológica da Arqueologia, por meio principalmente de pesquisas do campo da Arqueologia do Passado Recente, novas abordagens arqueológicas acabaram emergindo, entre elas destaca-se a Arqueologia da Contemporaneidade, onde a partir do tempo presente busca-se criar uma metodologia arqueológica para estudar a materialidade, não importando a temporalidade, inclusive criando a possibilidade de uma Arqueologia da atualidade. As produções gráficas contemporâneas fazem parte do dia-a-dia das cidades, seja uma parede grafitada com uma letra de música, um muro com um o grafite de um muiraquitã estilizado, ou mesmo um “pixo” expressando palavras de protestos. Pessoas isoladas ou coletivos de ruas buscam expressar suas ideias, sentimentos ou indignação, extravasando nos suportes parietais a partir dos grafites e “pixações”, fazendo dessa atividade uma forma de relatar e construir narrativas que na maioria das vezes são negligenciadas ou abafadas. Este trabalho busca apresentar algumas narrativas encontradas no ambiente urbano a partir da vivência com os autores das produções gráficas contemporâneas e parte da sociedade belemense, buscando compreender as tensões sociais existentes nestes espaços.

Palavras-chave: Arqueologia da Contemporaneidade; “Pixação”; Grafite; Cidade

 

09

ADAPTAÇÕES METODOLÓGICAS EM ARQUEOLOGIA PÚBLICA NA COMUNIDADE LAGOA DE SÃO VITOR, PIAUÍ, BRASIL.

 

Me. Bruno Vitor de Farias Vieira. Universidade Federal de Sergipe (UFS). bvturismologo@gmail.com

Dr. Paulo de Jobim de Campos Mello. Universidade Federal de Sergipe (UFS). paulojc.mello@gmail.com

Dr. Leandro Domingues Duran. Universidade Federal de Sergipe (UFS). leandrodduran@gmail.com

 

Da mesma maneira que não há um único método para a realização de uma pesquisa arqueológica, não há também uma forma geral para trabalhos de construção pública, colaborativa ou comunitária na Arqueologia. Para estes últimos, os problemas e adversidades apresentam-se ainda mais complexos no que se refere à sua aplicação, visto que este tipo de pesquisa ainda é minimamente praticado no contexto brasileiro, restando-nos escassos exemplos dessa natureza. Assim, para a realização de uma pesquisa com objetivos participativos e comunitários, tendo como base a Arqueologia Pública na comunidade quilombola Lagoa de São Vitor no sudeste do Piauí, delineou-se um próprio modelo metodológico de aplicação, com base em referências diversas como manuais e publicações que discorressem sobre o papel comunitário-participativo em pesquisas científicas, agregado à noção do contexto da comunidade, bem como sua participação nas escolhas e tomadas de decisões, pois entende-se que “as metodologias da Arqueologia comunitária não são unívocas; variam conforme as especificidades culturais das comunidades e os problemas de pesquisa atinentes às áreas de estudo” (FERREIRA, 2008, p. 87).

Palavras-chaveArqueologia Pública. Metodologia. Lagoa de São Vitor.