Através de suas cinzas.

Da arqueologia à autoetnografia

Homenagem a Hernán J. Vidal (1957-1998)

 

Resumo:

 

Hernán Vidal indagou acerca das relações de poder e processos de subalternização produzidos pela antropologia, à qual se refere como uma instituição cultural ocidental conformada por diversos subcampos, entre os quais se encontram dois em que se destacou: a arqueologia e a antropologia social. Sua dissertação de mestrado —Através das suas cinzas. Imagens etnográficas e identidade regional na Terra do Fogo (Argentina (FLACSO-Equador, 1993)— dá inicio a uma trajetória que o levaria a discutir os princípios que fundamentaram sua pesquisa. Ao questionar-se sobre aspectos políticos, Vidal se distanciou da formulação explicitamente científica que demandava a Nova Arqueologia e, com isso, também dos modelos explicativos hipotéticos desenvolvidos pela ecologia populacional. Recorrendo à reflexividade, alertou sobre a conivência dos antigos etnógrafos, historiadores locais e arqueólogos com a “extinção” discursiva dos indígenas, o que possibilitou sua apropriação —a través de fragmentos materiais e também dos seus mortos— por meio de dispositivos de patrimonialização, museologização e arqueologização. Vidal defendeu que “concentrados em nosso papel de expertos sobre o passado pré-histórico, não fomos capazes de ver os evidentes processos culturais do presente”. Dessa forma, fazendo uso de um conhecimento localizado, atravessado pelos efeitos da hegemonia e da ideologia, questionou o sistema de subordinação interétnica que excluiu os trabalhadores migrantes das narrativas da história local, a institucionalização do conhecimento arqueológico no aparato estatal e as teorizações desvinculadas dos casos práticos. Posicionado como sujeito da sua própria etnografia, Vidal analisou as relações sociais cotidianas, os usos do passado, as memórias seletivas, as negociações da contemporaneidade e as superposições entre ciência, Estado e nacionalismo. Além disso, ao perguntar-se para quem escrevemos, incitou a enfrentar as consequências políticas e éticas das nossas representações. Neste painel, convidamos a discutir os temas propostos por Vidal, há vinte cinco anos, e a refletir sobre sua pertinência no presente.   

Palavras-chave:

Patrimonialização, museologização e arqueologização, subalternização, autoetnografia.

 

COORDINADORES: 

 

Mariela Eva Rodríguez, Investigadora Adjunta del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de Argentina (CONICET), en la Sección Etnología del Instituto de Ciencias Antropológicas (ICA), Facultad de Filosofía y Letras, de la Universidad de Buenos Aires (UBA). Profesora Adjunta de la licenciatura en Ciencias Antropológicas de la UBA. Profesora de la Maestría en Antropología Social y Política de la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (FLACSO), sede Argentina. Correo electrónico: marielaeva@gmail.com

Magdalena Vidal, Estudiante de la Licenciatura en Ciencias Antropológicas, de la Facultad de Filosofía y Letras, de la Universidad de Buenos Aires (UBA). magusvidal@hotmail.com

Ana Cecilia Gerrard, Becaria doctoral del Centro Austral de Investigaciones Científicas (CADIC), Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), Instituto de Cultura, Sociedad y Estado (ICSE), Universidad Nacional de Tierra del Fuego (UNTDF). Docente- Investigadora ICSE- UNTDF. Correo electrónico: cgerrard@untdf.edu.ar.

Alejandro Haber, Investigador Principal del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de Argentina (CONICET). Profesor Titular de la Universidad Nacional de Catamarca en dicha Universidad. Correo electrónico: afhaber@gmail.com

 

debatedor ou Comentarista do simpósio:

Alejandro Haber, Investigador Principal del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de Argentina (CONICET). Profesor Titular de la Universidad Nacional de Catamarca en dicha Universidad. Correo electrónico: afhaber@gmail.com