SERES E EM-SERES: MATERIALIDADES, VITALIDADES E ARQUEOLOGIAS BIÓTICAS. Reflexões a partir da América do Sul.

 

Resumo:

 

Os registros, arqueológicos e enográficos, das comunidades com as quais trabalhamos, dão conta de vínculos com a natureza e com os “objetos” que excedem as formas modernas de compreensão. “Levar a sério” estas lógicas têm desencadeado reflexões teórico-metodológicas que se transformam, por exemplo, no que se define como “ontografias” e “etnografias multi-espécies”. Enquanto que as ontografias apontam para a necessidade de dar conta das condições ontológicas dos discursos nativos, o caráter multi-espécie se refere à disposição metodológica que permite abordar simétricamente todos os seres que as relações locais, materiais, contextuais, revelem como significativas.

Diversos trabalhos sugerem que o natural percorre e se desdobra fractalmente em referentes pouco aceitáveis desde uma lógica moderna: casas, sítios arqueológicos ou comidas detém estatutos similares ao das plantas, dos animais, das colinas e cursos de água. Neste sentido, convidamos a pensar uma arqueologia plenamente biótica, em contextos arqueológicos fluídos e instáveis. O que ocorre quando o objeto, a coisa, não é inerte, mas sim potente, mutável e vital? Quando toca em um fundo imanente? Este simpósio propõe pensar a partir de abordagens arqueológicas vitalistas, simétricas, pós-humanas e fenomenológicas, concepções distintas de materialidade, tanto no âmbito contemporâneo como pretérito. As abordagens antes mencionadas não são excludentes, mas sugerem dentro de uma gama ampliada de visões que abordam o arqueológico e ou material como algo mais que - ou definitivamente como algo distinto de - um registro e um referente inerte e dissecável.  Convidamos também a pensar, a partir de registros etnográficos e arqueológicos, referentes empíricos classicamente identificados como naturais, explorando tanto suas relações com outros referentes não naturais (seus desdobramentos) como considerando as relações entremeadas e enredadas que os atravessam e constituem (suas dobras como em um origami). Finalmente, convidamos também a testar novas modalidades que sejam necessárias para que certas abordagens se façam compreensíveis, como também para poder efetivar novas modalidades de indagação e compreensão dos fenômenos em estudo.

 

Palavras-chave:

Naturezas, objetos, seres, ontografias, multi-espécie.

 

COORDINADORES: 

 

Bernarda MarconettoUNC-CONICET, Argentina. bernarda.marconetto@gmail.com

Verónica S. LemaCONICET, Argentina. vslema@gmail.com

José Roberto PelliniUFS, Brasil. jrpellini@gmail.com

 

debatedor ou Comentarista do simpósio.

 

Benjamín Alberti - Framingham State University