REPRESSÃO, RESISTÊNCIA E RESILIÊNCIA: ARQUEOLOGIA DAS DITADURAS POLÍTICAS DOS SÉCULOS XX E XXI

 

Resumo:

 

Os séculos XX e XXI testemunharam o auge de regimes políticos que foram uma novidade quanto à escala de aplicação da violência e da repressão, as quais se converteram no eixo central de relação entre os Estados e as comunidades. Uma complexa relação de repressão, resistência e resiliência cujas sequelas materiais ultrapassaram as fronteiras do contexto em que foram geradas, alcançando e determinando as ontologias do presente.

Desta maneira, os distintos regimes ditatoriais geraram uma materialidade muito distinta e suscetível de ser abordada a partir da arqueologia. Arquiteturas disciplinares e/ou obliteradoras, fossas comuns, políticas de memória ou a geração de conceções específicas do espaço social são apenas algumas dessas materialidades/materializações que caracterizaram os regimes ditatoriais e a sua relação com as comunidades, afetando populações de países inteiros. Para além disso, as repercussões destas materialidades no presente geram vínculos particulares entre os “especialistas” e os sujeitos políticos que foram vítimas da repressão institucional, os quais devem ser ainda explorados em profundidade sob risco de caírem em práticas neocoloniais e expropriatórias.

Como continuação do simpósio apresentado no TAAS 2016 “Das materialidades e memórias: arqueologias da violência política do século XX”, o objetivo deste simpósio é levar à discussão distintas perspetivas sobre as ditaduras e o terrorismo de Estado através das suas materialidades, para que se possam abordar três temas complementares: por um lado, as particularidades e especificidades de cada um dos regimes ditatoriais através da forma como se plasmaram materialmente, assim como as regularidades das cadeias tecnológicas repressivas de escala internacional (pensemos, por exemplo, naquelas que se geraram sob a repressão internacional do Plano Condor); por outro, as relações que se estabeleceram entre diferentes coletivos que foram vítimas destes regimes (vítimas diretas, sobreviventes, familiares, vizinhos de espaços repressivos e fossas comuns, comunidade académica, entre outros) e o tipo de agências (materiais e humanas) que estruturaram estas relações; finalmente, as consequências políticas e sociais da mediação exercida por arqueólogos entre estas materialidades e os coletivos implicados nas mesmas.

 

Palavras-chave:

Repressão, resistência, arqueologia das ditaduras, agência, arqueologia crítica.

 

COORDINADORES: 

Bruno Rosignoli, Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Tecnológicas (CONICET). Centro de Estudios e Investigaciones en Antropología y Arqueología (CEIAA). brosignoli@hotmail.com

Carlos Marín Suárez, Universidad de la República - UdelaR (Uruguay). Centro de Estudios e Investigaciones en Antropología y Arqueología (CEIAA). curuxu44@gmail.com

Carlos Tejerizo García, Instituto de Ciencias del Patrimonio, Consejo Superior de Investigaciones Científicas (Incipit, CSIC). carlos.tejerizo-garcia@incipit.csic.es

 

debatedor ou Comentarista do simpósio:

Gonzalo Compañy, Global and Area Studies - Universität Leipzig. Correo: zalocvive@yahoo.com.ar